História da Herdade do Chamusquinho

A História da herdade do chamusquinho, situada na freguesia da Aldeia Velha do concelho de Avis, confunde-se, até princípios do século XX, com a da Herdade do Chamusco, altura em que esta, na sequência das partilhas que tiveram lugar por morte do seu proprietário Manuel Godinho Prates, foi dividida em duas partes, mantendo uma a denominação, mantendo-se também na família, e a outra passou a chamar-se Herdade do Chamusquinho que ficou sendo pertença de Manuel Godinho Prates Jr. Por morte deste último voltou esta a ser dividida e uma parte manteve o nome de Herdade do Chamusquinho.

Em meados do século XVII Frei António de Brito Pereira, Freire conventual da Ordem de Avis, e seu Prior-Mor, instituiu uma capela no referido convento vinculando a referida Herdade do Chamusco, que assim ficou fazendo parte das capelas do dito convento.

Por um auto de medição e demarcação da referida herdade efectuado em 1723, sabemos que a este tempo era lavrador da dita herdade Gregório Mendes e antes (presumimos que imediatamente antes) foi lavrador da mesma por tempo de trinta anos um Gaspar Nunes, irmão de um Domingos Nunes da Herdade da Sanguinheira.

Em 16 de Março de 1768 os Freires do Real Convento de S.Bento de Avis por escritura lavrada nas notas de tabelião de Montargil, José Soeiro Magro, aforam em três vidas a Herdade do Chamusco a João de Matos e sua mulher Mariana Teles, senhora que há em 1731 vivia na herdade casada com António Mendes.

Mariana Teles volta a casar em Aldeia Velha, a 22/11/1778 , com o lavrador Luis Pires de Carvalho, a quem por testamento de 18 de agosto de 1779 deixou o referido prazo da Herdade do Chamusco.

Por sua vez, nos princípios do século XIX, Luis Pires de Carvalho faz doação do referido prazo da Herdade do Chamusco, por escritura lavrada nas notas do tabelião de Galveias, a sua filha (do primeiro matrimónio com Narcisa Maria Nunes de Mendonça) Custódia de Mendonça que nessa data já se achava casada com Bernardino Prates (primo da citada Mariana Teles, madrasta da referida Custódia).

Bernardino Prates e Custódia de Mendonça, viveram e morreram na Herdade do Chamusco, onde foram lavradores, e aí lhe nasceram os filhos, entre eles o Luís Pires Prates de Carvalho que viria a herdar prazo, que foi sendo renovado.

Com a extinção das ordens religiosas e nacionalização dos seus bens passou a herdade a ser foreira à fazenda nacional, titular do domínio directo, e de acordo com a legislação em vigor veio Luis Pires Prates de Carvalho a remir o foro consolidando assim o domínio útil com o domínio directo, mediante o pagamento de novecentos e setenta e dois mil réis, conforme carta de D.Maria II de 22 de Agosto de 1844, onde se refere que se compunha de monte, fonte, terras e montado.

Por morte, em 1881, de Luís, veio a herdade a caber em partilhas, realizadas em inventário orfanológico, a seu filho Manuel Godinho Prates e é por morte deste que, como se disse acima, na sequência de partilhas foi dividida em duas partes, mantendo um a denominação e a outra passou a chamar-se Herdade do Chamusquinho que ficou sendo pertença de Manuel Godinho Prates Jr. que aí fez edificar o Monte do Chamusquinho em 1936, alvo a partir daí e até hoje de várias alterações e de novas construções. Por morte deste último, em 1959, voltou esta a ser fracccionada, por partilha entre seus herdeiros, e uma parte manteve o nome de Herdade do Chamusquinho.

fonte: Dr.António Godinho de Carvalho